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Pericles Pinheiro Machado Jr.
Adriana Fellipelli
Abelardo Barbosa, o Chacrinha, era chamado de grande comunicador do Brasil. É fácil constatar que grande parte do sucesso alcançado por Chacrinha deve-se ao seu reconhecido humor debochado, à criação de expressões que se tornaram populares e à animação de seus programas de televisão. A comunicação de massa era seu forte, e sua célebre frase “quem não se comunica, se trumbica” denuncia claramente a importância e o problema da comunicação nas interações humanas.
A comunicação, segundo algumas teorias, é entendida essencialmente como um processo que possibilita a troca de informações entre diferentes organismos por diversos métodos. Pode ocorrer entre duas ou mais pessoas, ou solitariamente (na reflexão, no sonho), entre entidades coletivas, indivíduos de espécies diferentes (o homem e o cachorro), células do corpo e assim por diante. Qualquer que seja o arranjo, a comunicação implica a presença de algumas dimensões normalmente descritas como emissor, receptor, mensagem, forma, canal e propósito.
A eficácia da comunicação não depende apenas da existência dessas dimensões. Barreiras naturais de comunicação dificultam e às vezes impedem a transmissão íntegra da mensagem, seja pela interferência de ruídos, seja na maneira como são formulados, emitidos e recebidos os conteúdos. O feedback – mensagens verbais ou não-verbais que o receptor devolve ao emissor – serve para verificar e ajustar a clareza da comunicação no momento em que ela ocorre.
Em nossa vida cotidiana, a comunicação eficaz pode ser resumida à capacidade de escutar e compreender aquilo que nos é apresentado pelas outras pessoas. Desde pequenos aprendemos a nos comunicar, e a assimilação da linguagem é o que nos define como humanos e nos insere em uma cultura. Quando a mãe fala com o bebê recém-nascido, ela oferece a essa pequena pessoa (que não fala) os insumos fundamentais que ajudarão a formar sua capacidade de relacionar-se com o mundo. Ao longo da vida, o ser humano passa por diferentes processos de amadurecimento cognitivo e emocional, e espera-se que na idade adulta tenha alcançado a capacidade plena de comunicação e expressão.
Mas quando olhamos ao mundo em nossa volta, fica muito evidente o quanto a comunicação eficaz é algo complicado de se colocar em prática. E no meio corporativo, essas dificuldades podem se tornar ainda mais acentuadas em decorrência das características específicas de cada empresa. Em uma agência de publicidade, a criatividade, a inventividade e a originalidade de idéias e de maneiras de se expressar são fatores altamente valorizados. Já uma empresa de auditoria possui valores e códigos de comportamento que prezam pela discrição e pela precisão das informações transmitidas. Qualquer pessoa que apresente um estilo de comunicação muito diferente daquele valorizado em seu meio terá potencialmente mais dificuldade para se fazer entender e conseguir o apoio e a aceitação de seus pares.
Essas diferenças de valores, códigos de comportamento, modos avaliação da realidade, estilos de julgamento, atenção e valorização de determinados elementos em detrimento de outros, são característicos não apenas de organizações, mas também das pessoas que as compõem. A compreensão dessas diferenças pode ser fundamental para assegurar uma comunicação eficaz. Para tanto, diversas empresas têm lançado mão de recursos externos para auxiliar na gestão da comunicação.
Um dos clássicos recursos utilizados pelas empresas em projetos de coaching de equipes com a finalidade de exercitar as capacidades de comunicação e expressão é instrumento Myers-Briggs Type Indicator – MBTI®. Criado na década de 30 por duas cidadãs americanas comuns – Katherine Briggs e Isabel Myers –, o instrumento MBTI® é um indicador de tipos psicológicos baseado na teoria do psicólogo suíço Carl Gustav Jung.
O MBTI® consiste em um questionário de 93 perguntas que tem por finalidade identificar preferências individuais em duas atitudes e do